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Desentendimento

'Ele está cuidando demais do que não precisa', diz Surfistinha sobre Bolsonaro

Ela afirmou ainda que ele está cuidando demais "do que não precisa" e "fazendo pouco" do seu dever principal, que é gerir o país.

21/07/2019 10h11
Por: André Nogueira
Fonte: Folhapress e Estadão Conteúdo
Foto: Reprodução Instagram
Foto: Reprodução Instagram

A empresária e escritora Raquel Pacheco, conhecida como Bruna Surfistinha, rebateu nesta sexta-feira (19) as críticas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro à produção cinematográfica baseada no seu livro "O Doce Veneno do Escorpião".

Na quinta-feira (18), o presidente usou o filme como exemplo para criticar o repasse de recursos federais para a produção audiovisual brasileira. Segundo ele, não pode haver "ativismo" em respeito às famílias brasileiras.

Em áudio enviado à Folha de S.Paulo por sua assessoria de imprensa, a empresária classificou a declaração como "infeliz" e disse que, antes de fazer juízo de valor, o presidente deveria "cuidar da moral de sua própria família".

"Sobre mais uma infeliz declaração do Bolsonaro, eu digo que ele, antes de fazer juízo de valor sobre os outros, deveria cuidar da moral da própria família. E ainda do nosso país. Afinal, ele está cuidando demais do que não precisa e fazendo pouco o dever dele principal: que é ser presidente", disse.
Nesta sexta-feira (19), o presidente voltou a tratar do tema e reconheceu que nunca assistiu ao filme, apesar de tê-lo criticado no dia anterior.

"Eu não, pô [assisti]. Vou perder tempo com Bruna Surfistinha? Eu estou com 64 anos de idade. Se bem que eu tenho uma filha de oito anos, sem aditivo", disse.

O presidente disse mais cedo que a Ancine (Agência Nacional do Cinema) poderá ser privatizada ou extinta caso não seja possível usar filtros nas produções nacionais.

A atriz Deborah Secco, que interpretou Raquel e é produtora do filme, também rebateu o presidente e defendeu que a arte precisa ser "ampla e abrangente". 

"Fico um pouco chocada com o 'Bruna' ter sido colocado nesse lugar, porque o filme retrata uma história real não só da Raquel, mas de outras milhares de mulheres que se encontram nessa situação", disse.

Extinção

Pouco antes, Jair Bolsonaro voltou a considerar a possibilidade de extinguir a Ancine, caso a agência pública não se adapte às regras impostas pela atual gestão.

"Dinheiro público não vai ser usado para fazer filme pornográfico e ponto final. Acho que ninguém pode concordar com isso. A Ancine acho que é no Leblon (bairro do Rio de Janeiro)? Virão para Brasília. Aquelas noites badaladas, muita festa, vão fazer em Brasília essa festa. Estamos estudando a possibilidade, tem que ser lei, de voltar a ser agência ou quem sabe extingui-la. Deixa para a iniciativa privada fazer filme", afirmou. 

Ontem, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, negou a possibilidade de extinção da agência e disse que apenas a direção será transferida para a capital federal.

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