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Trabalhadores rurais fazem greve de fome contra Reforma da Previdência em Teresina

A pauta da Reforma da Previdência foi tirada de votação pelo Governo Federal, temporariamente, mas o assunto ainda causa polêmica entre várias frentes de representatividade popular, em nível nacional e no Piauí. Protestos nas ruas das principais cidades são os mais comuns, porém dois piauienses resolveram radicalizar ao iniciarem, na última terça-feira (12/12), uma greve de fome no Aeroporto Senador Petrônio Portella, na zona Norte de Teresina.

Líria Aquino, de 29 anos, e Leonardo Machado, de 23, são trabalhadores rurais da cidade de São João da Varjota e fazem greve de fome contra a reforma da Previdência (Foto: Édrian Santos/OitoMeia)

Os dois jovens, de nomes Líria Aquino, de 29 anos, e Leonardo Machado, de 23, são trabalhadores rurais da cidade de São João da Varjota, distante 294 km da capital. Nenhum deles quis falar, com a alegação de que poupam energia devido à falta de alimentação. Além destes, um terceiro pode se juntar à greve de fome ainda nesta quarta-feira (13/12), sendo ele oriundo da cidade de Santa Cruz, Sudeste do Estado. Dependendo de discussões internas, o ato pode acabar ainda na próxima quinta-feira (14/12).

Tímidos, os grevistas estão na companhia de mais manifestantes, porém os demais se alimentam regularmente. Ao todo, cerca de 10 pessoas resolveram acampar no principal acesso à sala de embarque do aeroporto. Placas com palavras de ordem, lençóis, colchonetes, entre outros utensílios, somam à vontade desses camponeses piauienses de chamar a atenção da população para o que eles chamam de precarização do trabalhador rural, sobretudo os mais pobres.

“A escolha do aeroporto se dá por conta do grande número de pessoas que circulam de vários lugares do Brasil e de outros países. Esta manifestação tem o objetivo de dar visibilidade à discussão da reforma da Previdência, o que nós não concordamos. Outro motivo é que aqui também é passagem de deputados, principalmente federais, para que a gente cobre deles o fim da pauta, cuja previsão de votação está prevista para o próximo dia 18”, pontua Afonso Galvão, trabalhador rural e membro do Movimento dos Pequenos Agricultores no Piauí (MPA-PI).

APOIO POPULAR

Afonso pontua que o grupo já conversou com alguns deputados estaduais, como o petista João de Deus, de forma tal parlamentar se posicionou contrário à nova Previdência aos manifestantes. Ele ainda acrescenta que há um posicionamento positivo das pessoas que frequentam o aeroporto, mostrando-se favoráveis, em sua maioria, ao manifesto e discutindo os rumos do texto governista caso seja aprovado no Congresso.

“Hoje, consideramos a Previdência como a política pública mais importante para os pequenos agricultores, que é o amparo que eles têm a partir do momento que se tornam inabilitados ao trabalho no campo. Assim, quando completar a idade, sendo mulher 55 e homem 60, ele possa ter a aposentadoria para ajudar a se manter no campo. Se a reforma passar, queremos que permaneça como está aos trabalhadores rurais”, avalia Afonso ao OitoMeia.

O QUE MUDA AOS TRABALHADORES RURAIS?

Os trabalhadores rurais são contra a contribuição de 15 anos, o que é confirmado pelo governo. Por outro lado, no site da reforma da Previdência, administrado pela União, há o esclarecimento de que nada muda a essa classe, tanto para quem trabalha na agricultura ou pecuária.

“Para eles, todos os direitos serão mantidos. Na prática, tudo deve permanecer igual: para se aposentar, o trabalhador rural, quando chegar aos 55 anos (mulher) ou 60 anos (homem), deve comprovar, junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o trabalho no campo por pelo menos 15 anos”, informa o governo.

PREVIDÊNCIA NA CÂMARA

A previsão para que o projeto seja votado é para o próximo dia 18, segundo espera o governo e analisam entidades contrárias à reforma previdenciária. Por outro lado, o presidente Michel Temer destaca que, caso não seja em 2017, o texto tem que ser pautado já no início de 2018. A declaração foi dada antes de o chefe de Estado viajar para 11ª Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comercio (OMC), em Buenos Aires, no último domingo (10/12).

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/16, que modifica regras do sistema previdenciário, precisa do apoio de pelo menos 308 votos, em dois turnos, para ser aprovada. Pela agenda da Câmara, o relatório elaborado pelo deputado Arthur Maia (PPS-BA) deve ser lido em plenário na próxima quinta-feira (14/12), de manhã. A partir daí, líderes fariam a defesa da proposta e estaria aberta a discussão para que a votação ocorresse nos dias 18 e 19.

 

Fonte: OitoMeia

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Moisés Pontes

Moisés Pontes atualmente é estudante de enfermagem pela Faculdade FAMEP. Iniciou sua carreira profissional como colunista jornalístico em 2013 no site de notícias local Amarante Net a convite do atual prefeito Luiz Neto (PSD). Em 2014, recebeu o convite para assumir no Portal JN (Teresina) a coluna Informe Amarante com notícias do município e região. Atualmente também presta serviços como assessor de imprensa político e colaborador da AD Publicidade de Teresina. A convite da deputada e secretária de infraestrutura, Janaínna Marques, Moises recebeu a presidência do PTB Jovem Amarante tornando-se adjunto ao atual presidente Dr. Ítalo Queiroz (PTB Amarante). Trabalhou em 2015 como TARM-Técnico Telefonista Auxiliar de Regulação Médica do SAMU Amarante. Sobre sua paixão por jornalismo, Moisés Pontes foi orientado e instruído pelo jornalista, advogado, professor e historiador cultural Virgílio Queiroz, ator do filme Aí Que Vida de Cícero Filho. Moisés Pontes tem como meta no futuro próximo, criar um site e assessoria de mídias e notícias em saúde devido sua paixão por enfermagem e jornalismo.

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