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Como ex-servente de pedreiro virou uma das maiores revelações do Sport

Com apenas 18 anos, Juninho é uma das maiores revelações do elenco profissional do Sport dos últimos tempos, sendo chamado para a seleção brasileira sub-20 que dipsutou o tradicional Torneio de Toulon, na França, neste ano.

Nascido em Amarante, cidade de apenas 17 mil habitantes no Piauí, o garoto aprendeu desde cedo a ajudar no sustento da família.

“Trabalhei com meu pai como servente de pedreiro. E depois do trabalho eu ia para o campo jogar bola. Fiz isso dos meus 10 anos até os 15 anos. Entregava tijolo e o auxiliava nas obras”, disse o jogador, ao ESPN.com.br.

Por causa do serviço pesado na construção civil, ele descontava a fome em pratos gigantescos na hora do almoço.

“Como todo cara que trabalha como pedreiro eu comia muito. Na verdade, eu como muito até hoje (risos)”, reconheceu.

O primeiro time de Juninho foi o Flamengo do Piauí, mas como passou dificuldades nas categorias de base da equipe, resolveu voltar para casa.

“Teve uma peneira do Sport em 2015 e passei. Fui para Recife aos 16 anos para morar na concentração da Ilha do Retiro”, contou.

Ao sair de casa, o jovem enfrentou alguns desafios para se adaptar ao novo clube.

“A primeira dificuldade que senti foi a saudade da família. Além disso, sentia falta dos costumes, das comidas e dos cuidados da minha mãe além da vivência com os amigos de infância”, recordou.

Passado o primeiro impacto, Juninho se destacou tanto na equipe Sub-17 do Sport que em apenas nove meses foi promovido diretamente aos profissionais pelo treinador Paulo Roberto Falcão.

O garoto debutou na equipe principal em um jogo da Copa do Nordeste contra o River-PI. Foi tão bem que acabou escalado para o clássico contra o Náutico.

“Eu entendia que ele podia jogar. Tem personalidade e conversei com ele no hotel. Estava motivado. Tem um olhar firme e quando está assim, tem que jogar, mesmo que tenha 16 anos. Foi uma grande experiência”, disse Falcão, à época.

No decorrer do ano, Juninho desceu para o time Sub-17, mas não se abalou.

“Desde que eu cheguei ao profissional, venho aprendendo muito. Fazer parte de um elenco com Magrão, Durval, Diego Souza, é um privilégio para qualquer jogador. Então, desde que subi, aprendi e cresci muito. É normal com jogador jovem você subir e depois descer de novo até se firmar”, reconheceu.

Ele brilhou na Copa do Brasil, quando o time pernambucano foi vice-campeão, derrotado pelo Corinthians na decisão.

“Fui artilheiro da Copa do Brasil Sub-17 fazendo história com o clube. Depois, fui convocado para a seleção brasileira no Sub-18. Foi muito boa essa experiência”, admitiu.

De volta ao time de cima

No começo deste ano, Juninho foi reintegrado no time principal e teve algumas atuações de destaque. Contra o Náutico, na Ilha do Retiro, o Sport perdia por 2 a 1 para o Náutico e o garoto marcou gols aos 44 e 46 minutos do segundo tempo e decretou a virada por 3 a 2. Ele também marcou o gol da vitória por 2 a 1 sobre o Joinville, pela Copa do Brasil.

Conhecido por não ter medo de dizer o que pensa, Juninho não tem ídolos no futebol.

“Essa personalidade vem de mim mesmo. Eu sei quem sou e sei até aonde eu posso ir. Tenho referências: Ronaldo Fenômeno, Iniesta, Fred e Juninho (risos). Ídolo, só Deus”, bradou.

Com 24 jogos e 6 gols na temporada, o jovem espera cativar o técnico Vanderlei Luxemburgo para se firmar de vez no elenco rubro-negro.

“Agora, graças a Deus venho treinando junto do grupo profissional, tendo oportunidades e espero seguir crescendo agora com o professor Vanderlei que é um grande profissional e vitorioso”.

Juninho tinha o hábito de prometer gols antes das partidas, mas nos últimos meses ele ficou um pouco mais contido.

“Eu ainda sou assim, mas aprendi a falar na hora certa não posso prometer gols se eu não sou titular e não entro em todos os jogos (risos)”, reconheceu.

“Meu momento é de espera. Estou trabalhando em busca de uma oportunidade. Quero fazer uma ótima temporada para ir um dia para a Europa”.

Com boas atuações pelo Sport, ele espera voltar a ser chamado para a seleção brasileira Sub-20.

“É uma experiência muito boa jogar pela seleção. Sempre sonhei em representar nosso país. Foi uma grande emoção e felicidade. Agora é seguir trabalhando pra voltar a ser convocado”.

Fonte: Spn

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